12/01/2022 às 13h59min - Atualizada em 12/01/2022 às 13h59min

Síbaris; “ A cidade Eterna”

Conheça a história e identifique-se como um bom Sibarita gastronômico.

Lutero Barbará - Papo Sabor
Roma é conhecida e celebrada como “a cidade eterna”, porém do meu ponto de vista a verdadeira “cidade eterna” é Síbaris. Não por suas fontes, praças, ou suntuosas mansões, até porque Síbaris foi varrida do mapa há milênios e não sobrou pedra sobre pedra desta opulenta colônia grega. Síbaris é eterna pelo simbolismo do perene anseio humano de buscar a satisfação dos sentidos.

Situada no Golfo de Trento - que seria a sola da bota que hoje chamamos Itália - Síbaris era uma espécie de “Spa” luxuoso abrigando mais ou menos 300.000 requintados gregos conhecidos como Sibaritas. Se reconhecia um Sibarita pela distinção e a elegância na música, pintura, literatura…etc. Ser Síbarita significava um gosto refinadíssimo.    

Foto:divulgação
 
A cidade era um enclave hedonista dedicado ao conforto, ao ócio, a contemplação e a excelência no sabor em tudo aquilo que consumiam. Os banquetes eram intermináveis e as iguarias servidas... incomparáveis! O vinho era canalizado direto do campo para as torneiras da polis. Dentro dela não trabalhavam ferreiros nem carpinteiros para que o ruído não perturba-se os moradores.

Cá pra nós...na verdade este paraíso terreno era o lugar aonde todos gostaríamos de viver, embora tenhamos vergonha de admitir nossa eterna busca pelo prazer sensorial. O certo é que todo ser humano que ainda respira...busca o prazer e foge da dor!
 
Por sua tradição requintada Síbaris acabou popularizando o termo Sibarita que é como conhecemos hoje os amantes da boa comida, do bom vinho e de todo o universo gastronômico.

A atual explosão de espaços gourmets, das lojas “delicatessen”, das revistas especializadas, dos guias e tours gastronômicos de alguma maneira é um renascimento de Síbaris. Agora que o leitor/a conhece um pouco da “cidade eterna” gostaria de comentar algumas tendências do “NeoSibaritismo.”

 Fot:divulgação

O Tempo

A primeira coisa que se deve levar em conta; O relógio Síbarita não é o cronômetro do cotidiano. É, ao contrário, um tempo distendido, ocioso, mágico, ritualístico...envolvendo todos os sentidos despertados pela verdadeira experiência gastronômica. O tempo Síbarita transcorre despreocupado como a “Dolce Vita” italiana. Estar em boa companhia para comer, beber e conversar à respeito de pratos, receitas, trivialidades e profundidades...este é o “Tic Tac” fundamental.

Os Lugares

Os locais adequados para tal experiência não são necessariamente os mais caros restaurantes e bares da moda. Um “Síbarita Raiz” foge da massificação turística. E neste sentido investiga aonde se escondem os pequenos rincões secretos dos lugares visitados. A busca pelo autêntico e um retorno ao básico de qualidade  é a atual tendência dos amantes da boa mesa. Sendo assim muitos estabelecimentos europeus já oferecem uma imersão Total que justifica a palavra experiência.

A  experiência do retorno ao básico

Se foi o tempo do “visite a nossa cozinha!” Hoje a sugestão é “visite a nossa granja”, de produtos frescos e altíssima qualidade. No “La Ferme de Mon Père.”, por exemplo, se pode ver através do chão de vidro as ovelhas e galinhas que estão no estábulo, embaixo do salão principal. O restaurante de Marc Veyrat en Megève, França, é a  fiel reconstrução  de uma antiga fazenda aonde os comensais podem sentir o cheiro e os ruídos característicos de uma Vida Bucólica.

A experiência participativa

E como quem é amante da boa mesa também ama conhecer e participar o “NeoSibaritismo”- dentro deste mesmo espírito de imersão total - proporciona o “faça você mesmo”. Participar na elaboração de produtos de alta qualidade e entender todo o processo é outra tendência já estabelecida. Para tanto se pode pisar uvas em algum vinhedo da região vinícola do Alto Douro em Portugal, saboreando um “oporto añejo” ; aprender a fazer a própria barra de pão, de preferência em um forno á lenha; colher cogumelos no campo, pescar uma lagosta para assar na “parilla”...Etc. Mas tudo isto são ideias; sugestões para captar o renovado “Espírito Síbarita

A experiência narrativa

É para despertar sensibilidades adormecidas que a palavra “Experiência” ecoa como mantra na atual gastronomia. Mas as vivências necessitam referência temporal e uma narrativa convincente. O bom “Sommelier” não sugere apenas o vinho adequado, ele apresenta uma história engarrafada. O estrelado chef Marc Veyrat homenageia seu pai campesino e as suas raízes no “La Ferme de Mon Père.”, assim como as sobremesas de Jordi Roca são os relatos selvagens de sua infância no restaurante familiar “Celler de Can Roca.” O Síbarita contemporâneo quer compreender todo o processo dos produtos de qualidade que consome, e também conhecer a história dos  mercados, bares e restaurantes aonde vai entregar-se ao deleite dos sentidos.
 
É certo supor que os herdeiros de Síbaris ainda veneram o requinte e a exclusividade e que tais extravagancias necessitam tempo e dinheiro. No entanto o que mudou de lá para cá foi esta imersão total na experiência gastronômica...o que gera um gozo mais prolongado.

O Síbarita atual já não se satisfaz somente com excelentes pratos; Ele é um amante do saber investigar, do saber fazer, do saber contar histórias em lapsos de tempos prazerosos. Tudo isso em busca da felicidade, e graças a Síbaris a “Cidade Eterna”, que já não existe!

Abraços e até mais!
Lutero Barbará  
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Lutero Barbará

Lutero Barbará

Diretamente de Barcelona - Espanha.

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